quinta-feira, 19 de maio de 2011

Ergonomia: Levantamento de Peso


A postura de flexão de tronco à frente adotada por colaboradores, durante a jornada de trabalho, aumenta a sobrecarga na região lombar devido ao aumento do braço de alavanca de resistência, conforme desenho abaixo, proporcionando maior solicitação dos músculos dorsais, principalmente porção inferior. E, quando realizamos a flexão de tronco frontal ocorre deslizamento do núcleo pulposo em direção posterior do disco vertebral e quando retornamos à posição ereta, o núcleo pulposo não retorna no mesmo momento, este retorna após alguns segundos. Portanto, dependendo do movimento realizado após o retorno á posição, podemos lesar o disco vertebral.

A flexão de tronco constante proporciona fortes dores na região lombar com o decorrer do tempo. Podendo, muitas vezes serem chamadas de lombalgias devido à inflamação e desconforto. E, essa sobrecarga muscular pode com o acúmulo de solicitação provocar alterações na coluna vertebral, provocando surgimento de hérnias de disco, osteófitos e comprometer o desempenho do colaborador.




A ginástica laboral tem por objetivo compensar estas estruturas sobrecarregadas, visto algumas impossibilidades de ajustes ergonômicos.





Flexão de coluna com carga e transporte de carga de 20 a 25 kg

Cargas caracterizam-se pelo tipo, nível e duração de sua influência sobre o homem. Temos a carga por levantar e transportar, por atividades de supervisão, por estar de pé, de carga climática e de cargo por trabalho em turnos. Paralelamente, outros fatores podem atuar em forma de carga, por exemplo: o ambiente social no posto de trabalho, como clima de trabalho, relação com colegas e superiores hierárquicos, informação insuficiente sobre medidas organizacionais, incertezas no cargo de trabalho e muitos outros.

As influencias das cargas existentes podem ser esclarecidas com base na descrição do sistema de trabalho, ou seja, da tarefa, do processo de trabalho e das condições situacionais. Quando o nível de carga puder ser quantificado através de medições reproduzíveis fala-se de uma grandeza de carga, porém, se só for possível uma descrição qualitativa, o nível é qualificado de fator de carga.

O esforço pelo trabalho é o efeito individual da carga de trabalho sobre o homem, que está em dependência de suas qualidades e faculdades. A carga por levantar e transportar pesos exige a atuação (esforço) do sistema músculos - ligamentos - ossos e do sistema coração - circulação sangüínea. O nível do esforço depende, neste exemplo, essencialmente das forças físicas (musculares) individuais e da capacidade de rendimento do sistema coração – circulação sangüínea.

Como os efeitos da carga de trabalho dependem da capacidade de rendimento e das qualidades do ser humano, o esforço pelo trabalho com a mesma carga variará de pessoa a pessoa.

Esforço como conseqüência da carga caracteriza assim, a exigência individual ao ser humano pelo trabalho e pela situação existente durante o mesmo. O esforço pode resultar do trabalho físico e/ou intelectual, do ambiente de trabalho, ou pode ser simplesmente um esforço predominantemente emocional.

O esforço não pode ser medido diretamente, mas apenas caracterizado através de sintomas observados, adequadamente interpretados. Apuráveis são, por exemplo, os parâmetros fisiológicos que caracterizam funções do corpo (como a freqüência cardíaca) e respostas a perguntas ou a escalas pré - determinadas. Correspondem a indicadores que “indicam” o esforço.

O nível de carga, no qual ainda existe um equilíbrio entre fadiga e recuperação, é aquele no qual ainda poderá ser alcançado em “estado estável”, e é identificado como limite do rendimento contínuo. Um “estado estável”, ou seja, um equilíbrio entre fadiga e recuperação, pode ser alcançado tanto para trabalho constante, como para trabalho intermitente. No segundo caso, fases de recuperação se sucedem a fases com alta carga, numa seqüência tal, em que a fadiga causada pelas fases de carga é compensada nas fases de recuperação. Quando já existirem no processo de trabalho fases de recuperação suficientes, não serão necessários tempos de recuperação adicionais. O limite do rendimento contínuo, primeiramente é diferente para cada pessoa, dependendo das qualidades e das capacidades individuais.

O manuseio de transporte de cargas tem sido uma das causas mais comuns de lesões osteomusculares nos colaboradores. Isto ocorre, devido à diferença individual nas capacidades físicas.

A coluna vertebral é responsável por suportar o peso corporal, esta função é desempenhada pela parte anterior da coluna vertebral e pelo disco intervertebral. É, portanto, necessário conhecer a capacidade humana máxima para levantar e transportar cargas, para que as tarefas e as máquinas sejam corretamente dimensionadas nos limites aceitáveis.

Levantamento manual de cargas é uma das maiores causas de queixas de dores nas costas. As principais patologias / algias de coluna vertebral – região lombar, são:

- Lombalgia: é uma dor localizada na região lombar, decorrente de posturas viciosas no trabalho, lazer, em casa ou no dormir e ao pegar peso de forma inadequada.

- Lombociatalgia: é uma dor localizada na região lombar, com irradiação para os membros inferiores (m.m.i.i.), por pinçamento de raiz nervosa decorrente dos itens citados anteriormente e, ainda, de alterações ósseas como, por exemplo, osteófitos, hérnia de disco e outras.
Pode ocorre irradiação de dor e parestesia para a área das nádegas, virilha, coxa, perna, tornozelo e dedos.

Portanto, os principais aspectos a serem observados / examinados para esta postura são:

- Processo produtivo (manual e mecânico);
- Organização do trabalho (freqüência de levantamento);
- Posto de trabalho (posição da carga e postura);
- Tipo de carga (forma, peso, pegas);
- Acessórios de levantamento; e
- Método de trabalho (individual e coletivo).


Recomendações necessárias:

1. Manter a coluna vertebral ereta;
2. Utilizar a musculatura das pernas para suportar o peso do corpo;
3. Manter a carga próxima ao corpo;
4. A carga deve estar a 40cm do piso, se estiver abaixo o carregamento deve ser feito em etapas;
5. Observar e afastar os obstáculos que possam atrapalhar os movimentos durante o levantamento de cargas; e
6. Não deve ser realizada rotação de coluna vertebral durante o levantamento de peso.


Pesquisas mostram que a flexão de tronco, inclinações laterais ou rotações da coluna vertebral aumentam o estresse mecânico na musculatura paravertebral e nos discos intervertebrais; e a flexão prolongada pode ocasionar níveis importantes de fadiga.

Como podemos observar nos desenhos, quanto maior for a distância do membro ao corpo, maior é o braço de alavanca de resistência. Portanto, maior será a sobrecarga sobre a região lombar, principalmente à 5a vértebra lombar.

R = (R1.a) + (R2.b)
P.c = R

A parte superior do tronco do indivíduo corresponde à cerca de 65% do seu peso corporal. A força total R aplicada ao braço anterior de uma alavanca imaginária, com ponto de apoio na 5a vértebra lombar será: o peso da parte superior (R1), multiplicado pela distância de seu ponto de aplicação à 5a vértebra lombar (a) + o peso do objeto (R2) multiplicado pela sua distância ao mesmo ponto de apoio.
Para equilíbrio da alavanca essa força deverá ser compensada por outra P, exercida pelos m.m das costas, incidindo a 05 cm (c) do ponto de apoio, ou seja:

P.c = R

Para calcularmos a força exercida sobre a 5a vértebra lombar, respectivamente, nas posturas de levantamento ilustradas basta dividirmos R por c.

P = [(R1.a) + (R2.b)]/c


Desenho 01: Indivíduo 80 Kg com Objeto 25 Kg
P =[(50Kg . 0,25m) + (25Kg . 0,60m)]/ 0,05 m = 550 Kg





Desenho 02: Indivíduo 80 Kg com Objeto 25 Kg
P = [(50Kg . 0,40m) + (25Kg . 0,80m)]/0,05 m = 800 Kg





Como verificamos, a carga imposta à coluna vertebral é aumentada à medida que o objeto a ser levantado situar-se mais distante de nosso corpo.

Portanto, quando uma pessoa realiza flexão de tronco frontal, deve-se levar em consideração:
a. Se a pessoa está com ou sem carga;
b. O peso dessa carga; e
c. A distância do corpo até a carga ou distância do membro.


Porque, quanto maior for a distância do membro ao corpo, maior é o braço de alavanca de resistência. Portanto, maior será a sobrecarga sobre a região lombar, principalmente à 5a vértebra lombar.

Um comentário:

  1. Bom Dia,

    Estou fazendo um TCC e gostaria de saber qual a referência bibliografica dos cálculos apresentados acima.

    Muito Obrigado

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